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A barbárie da rua 15
Uma das primeiras coisas que faço logo quando me levanto é ler o Diário da Manhã. Passei muito mal, quando no último dia 18, vi nas páginas do jornal fotos de uma torturada. Ao contrário do que estamos acostumados com a nossa História recente, a pessoa em questão não era uma prisioneira política. Não estava sendo torturada devido aos seus ideais ou crença religiosa. Ela, uma menina de doze anos, estava sendo torturada pela sua mãe adotiva..


A cena mais parecia um filme de terror. Quando os policiais chegaram ao apartamento luxuoso de 600 m2, na Rua 15 do setor Marista, encontraram uma criança de 12 anos acorrentada com os braços para cima, amordaçada, com vários sinais de espancamento pelo corpo. Segundo relato dos próprios policiais que foram resgatar a menina, a cena era extremamente chocante.

A pseudo empresária, (aqui chamo desta forma em respeito a grande classe empresarial de bem que reside em nosso estado) que já tinha antecedentes criminais, leva-nos com sua atitude animalesca, a refletir sobre a sociedade na qual vivemos e na qual queremos viver.


A mãe biológica desta criança – vale ressaltar que, sem consentimento do pai – em busca de uma vida melhor para sua filha, “deu” a filha (este é o termo utilizado) para que Silva, que tinha mais condições financeiras, pudesse criá-la. A menina de doze anos não é só vitima de um animal travestido de mulher. A menina de doze também é vitima do descaso governamental com as pessoas carentes de nossa sociedade.


É vitima da história brasileira que dizimou as oportunidades que seus pais biológicos pudessem de ter lhe dado, para que ela tivesse uma vida digna. É vitima da falta de valorização da família, como seio da sociedade, de nosso tempo.


A criminosa e seus cúmplices devem pagar, com o rigor da lei, pela atrocidade que cometeram. O estado deve garantir a esta menina um caminho para que o pouco de esperança e de sonhos que lhe restam, um dia, possam se tornar realidade. Mas a nós, como sociedade, compete as reflexões corretas, para que tamanho ato de maldade não se repita.


É necessário uma política de valorização da família. É necessário dar a condição para que as famílias possam sustentar e criar seus filhos. É imprescindível um rigoroso controle para que as crianças que necessitam de “novos pais”, possam ser encaminhadas ao brilhante processo de adoção desenvolvido pelo juizado de menores.


Os governos, em suas amplitudes, devem deixar de lado seus enfrentamentos políticos, partidários e eleitoreiros para juntos construírem um futuro digno para crianças que possam estar sofrendo qualquer tipo de abuso. Proporcionando a todas as crianças educação de qualidade e sociabilidade saudável para que possam crescer imunes a estas maldades.


Outro fator importante para coibir estas agressões é a solidariedade de todos. Quem chamou a polícia para resgatar a criança foi um vizinho. Se toda a sociedade tornar-se ouvido e olhos do estado, ao ponto de avisar a polícia e o ministério público quando um crime estiver acontecendo, seja ele de grande ou de pequeno potencial ofensivo, com certeza casos como a barbárie da Rua 15, não irão acontecer mais.

 
Dep. Fábio Sousa em 25/03/08
 

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